«Dezenas de editoras, a maioria das quais hoje desaparecidas enquanto casas independentes, estavam nessa altura a produzir livros intelectualmente relevantes. Algumas, como a McGraw-Hill, que publicou grandes autores como Vladimir Nabokov, viraram-se para a área do livro técnico e de gestão. Outras, como a Schocken, a Dutton ou a Quadrangle, submergiram em grandes grupos económicos, tendo perdido identidade própria. Outras ainda, como a John Day e a McDowell Obolensky, juntaram-se aos anais da História, fazendo agora parte de um passado em larga medida esquecido.»
André Schiffrin, O Negócio dos Livros, Letra Livre (tradução de Octávio Lemos e Rui Lopo, intróito de Vítor Silva Tavares; pg. 92)
Comentário à “Notícia do Maior Escândalo Erótico Social” editado pela Letra Livre
«A Letra Livre continua a marcar pontos. Desta feita, a polémica gerada pela 2ª edição, corria o ano de 1922, das Canções de António Botto. Há poucos dias, o meu querido amigo Luís Bigotte Chorão honrou o Malomil com um texto seu sobre a revista Contemporânea. Pois foi nas páginas da Contemporânea que Fernando Pessoa assinaria o artigo que espoletou a controvérsia. Uma contenda que até meteu, imagine-se, futuros nomes grandes do Estado Novo, como Marcello Caetano e Pedro Theotónio Pereira. Para quem julgue que se tratava de uma brincadeira de rapazes, que também o era, o artigo de Marcello Caetano diz muito do seu pensamento, à época e depois. A antologia dos textos da controvérsia é toda feita aqui, com introdução de Zetho Cunha Gonçalves. Simplesmente imprescindível.»
Diogo Ramada Curto analisa na revista Ipsilon do jornal Público o livro da Letra Livre “Notícia do maior escândalo erótico-social do século XX em Portugal” de Zetho Cunha Gonçalves.
António Botto, Col. Estúdio Mário Novais I FCG – Biblioteca de Arte e Arquivos
"«A cultura não se cria por decreto; cria-se a si mesma e surge espontâneamente das necessidades dos seres humanos e da sua cooperação social. Nenhum governante pôde ordenar aos homens que desenvolvessem as primeiras ferramentas, que se servissem do fogo, que inventassem o telescópio e a máquina a vapor ou criassem a Ilíada. Os valores culturais não brotam por decisões das instâncias superiores, não se deixam impor por decretos, nem sobrevivem por decisões de parlamentos.»"
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«O sebo é a verdadeira democracia [...] Saio deles com um pacote de novidades velhas e a sensação de que visitei, não um cemitério de papel, mas o território livre do espírito, contra o qual não prevalecerá nenhuma forma de opressão»